Zelo com o meio ambiente passa a condicionar crédito rural
05/03/2026 - Mercado Imobiliário
Risco ambiental é cada vez mais levado em conta durante análise financeira
Se até pouco tempo as ações em favor do meio ambiente eram consideradas apenas um diferencial competitivo no campo, agora, elas estão se tornando uma exigência para o acesso a financiamento. Isso porque o setor financeiro passou a considerar fatores ambientais e climáticos nas análises de risco, algo que, segundo especialistas, explica em parte a queda de 16% do volume de crédito rural no primeiro semestre de 2025, ante o mesmo período do ano anterior, conforme foi apontado em levantamento da Serasa Experian, realizado com base no Cadastro Positivo do agronegócio. Ou seja, o risco socioambiental veio para ficar.
O critério ganhou fôlego nas instituições financeiras após a publicação da Resolução CMN n.º 5.193/2024, do Banco Central do Brasil e do Conselho Monetário Nacional, que tornou obrigatória, a partir deste ano, a verificação de supressão de vegetação nativa via sistemas oficiais antes da autorização do financiamento. A mesma norma exige que os bancos verifiquem a regularidade ambiental dos imóveis rurais, por meio do cruzamento de informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de órgãos ambientais estaduais.
O objetivo é que propriedades que não zelarem pelo meio ambiente tenham o crédito negado, suspenso ou condicionado à regularização.
Ainda de acordo com a Serasa Experian, os passivos ambientais se concentram em uma pequena parte das propriedades, que, ao terem acesso a financiamento e subsídios em condições semelhantes de quem adota regras de compliance ambiental, prejudicam a concorrência. Por outro lado, empresas e produtores rurais que mantêm dados ambientais atualizados e auditáveis podem obter melhores condições de crédito e taxas mais competitivas junto aos bancos.