A criação da Faixa 4 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) não resultou apenas na ampliação do acesso ao crédito habitacional para famílias de renda média. Além de elevar o limite de rendimentos para a aquisição da casa própria, a medida reduziu a dependência do mercado imobiliário brasileiro de uma única instituição financeira - no caso, a Caixa Econômica Federal (CEF).
O fato de a contratação de crédito habitacional ter passado a se dar, também, por meio de bancos privados, ampliou a concorrência no segmento. E, se até pouco tempo o consumidor brasileiro dispensava a pesquisa, a comparação e a negociação por falta de alternativas, com a criação da Faixa 4 do MCMV, a busca por contratos mais vantajosos - algo natural, afinal, financiamentos imobiliários resultam em dívidas para três décadas ou mais - passou a se difundir - comportamento que, por si só, pode dinamizar a concorrência no mercado de crédito no país e beneficiar os compradores.
Levantamento realizado este ano pela LARYA Market Intelligence indicou como as taxas podem variar de banco para banco: na época em que os números foram divulgados, a CEF, por exemplo, cobrava 11,19% ao ano mais TR, enquanto o Itaú praticava 11,60% e o Banco do Brasil, 11,74% - diferenças que podem parecer modestas à primeira vista, mas não são desprezíveis em contratos de longa duração. E, se a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) projeta um crescimento de 16% dos financiamentos de moradias em 2026, é positivo que tal expansão se dê em um ambiente de maior competição.
A diversificação das fontes de recursos é, ainda, outro aspecto a ser considerado. Bancos particulares estruturam suas operações por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), ou seja, diferentemente da CEF, que utiliza o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Registro de Imóveis do Brasil (com informações da
Abecip)