As mudanças climáticas deixaram de constituir uma mera preocupação ambiental e já influenciam de forma direta o comportamento do consumidor no que diz respeito à escolha de um imóvel para morar ou alugar. Pesquisa intitulada Brain Behavior - Mudanças Climáticas, realizada pela Brain Inteligência Estratégica, acaba de indicar que quatro em cada dez entrevistados já descartou um imóvel ou uma região por conta de riscos associados ao clima. Comparado a levantamento anterior, realizado em 2025, o número praticamente dobrou.
Na consulta mais recente, que ouviu 1.200 pessoas em todas as regiões brasileiras, o principal motivo para a recusa é a possibilidade de enchente ou alagamento - 31% dos entrevistados assim se posicionaram. Além disso, 69% disseram considerar que as cidades em que moram não estão preparadas para as mudanças em curso e outros 61% avaliaram que o setor imobiliário se encontra em situação idêntica.
O levantamento indica, ainda, que a região Sul do Brasil é aquela em que os riscos relacionados ao clima mais têm influenciado a decisão de compra ou locação - 51% dos entrevistados que ali residem disseram já ter desistido de um imóvel em razão, sobretudo, da ocorrência de enchentes e alagamentos frequentes.
Tragédia gaúcha
Bem antes disso, contudo, brasileiros já haviam tomado a decisão de se mudar após terem sido impactados pela tragédia que se abateu sobre o Rio Grande do Sul em 2024. Naquele ano, ainda durante o período mais crítico da enchente, uma sondagem feita pela Loft, em parceria com a Offerwise, mostrou que 30% dos entrevistados se deixaram influenciar pelo fenômeno climático. Na época, inundações e enchentes (32%) e ondas de calor (31%) foram os eventos extremos mais citados.
Entre os moradores do Sul, a propósito, 51% já descartaram um imóvel ou região para escapar dos efeitos climáticos - no país, o percentual apurado não ultrapassou 40%. O risco de enchente ou alagamento foi apontado por 44% dos entrevistados na região.
Fenômenos mais presentes
Dentre os fenômenos climáticos identificados com maior frequência nas regiões em que vivem, 68% dos entrevistados citaram ondas de calor ou aumento da temperatura, enquanto 53% indicaram chuvas intensas e tempestades e outros 30% disseram enchentes ou alagamentos. Ventos fortes ou vendavais (18%), aumento de doenças relacionadas ao clima (15%), secas prolongadas ou falta d'água (13%), queimadas ou incêndios próximos (9%) e deslizamentos de terra (3%) foram outras situações lembradas - como a questão comportava mais de uma resposta, o total superou 100%.
Comparada a um ano antes, a consulta revelou que a preocupação com chuvas intensas saltou de 44% para 53%, enquanto, com enchentes, passou de 28% para 30%.
Escolaridade, idade e renda
O levantamento também mostrou que, quanto mais escolarizados, mais os entrevistados levam em conta os riscos climáticos no momento de escolher onde morar. Entre os que possuem pós-graduação, 36% disseram sim à pergunta. Já entre os que têm somente o ensino fundamental, o percentual caiu para 17%.
Quando considerada a idade, os que têm entre 61 a 79 anos são os que menos se preocupam com as mudanças climáticas - 58% disseram não levar em conta eventuais riscos, índice superior ao registrado entre os que possuem entre 21 e 28 anos (38%), 29 e 44 (41%) e 45 e 60 (45%).
Por renda, entre os que ganham acima de R$ 20 mil, 48% responderam não se preocupar com o clima, maior percentual entre os estratos analisados.
Registro de Imóveis do Brasil (com informações do
Portas)