Na última semana de outubro, o crédito imobiliário ficou mais caro em três dos principais bancos privados do país. O movimento iniciado pelo Bradesco imediatamente após o segundo turno da eleição presidencial foi acompanhado pelo Itaú Unibanco e pelo Santander, cuja taxa mínima passou de 11,69% para 12,49% ao ano mais TR (Taxa Referencial).
Dos três bancos, o Santander foi o que fez a opção mais cautelosa, ao anunciar uma alta de 0,8%, enquanto o Itaú majorou a taxa mínima em um ponto percentual e o Bradesco aplicou 3,3% de uma única vez. Com isso, o Santander passou a ter a menor taxa entre as três maiores instituições particulares, abaixo da Selic - que, na reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) foi mantida em 13,75%. É também o caso do Itaú, ao passo que a maioria dos clientes do Bradesco passou a pagar uma taxa superior aos juros básicos da economia.
Ainda assim, o Santander já pratica uma taxa maior que o teto legal (12% ao ano) do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Operações acima desse patamar deixam de estar sujeitas às regras do SFH e passam ao Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), que faculta a livre negociação das taxas.
Vale lembrar que, para quem compra um imóvel, o fato de a instituição bancária enquadrar-se no SFH permite a utilização do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), tanto na aquisição quanto na amortização do valor financiado.
Razões
Os reajustes aplicados por Bradesco e Itaú mantêm relação direta com a forma como a habitação é financiada no país. Como a caderneta de poupança tem perdido espaço no crédito imobiliário - sua participação foi reduzida de 34%, em dezembro de 2023, para 29%, em dezembro de 2025, segundo o BC - os bancos têm recorrido a alternativas como as Letras de Câmbio Imobiliário (LCIs) para cobrir a diferença. A questão é que o custo, neste caso, segue de perto os juros futuros - quando fica mais caro captar, a variação é repassada ao comprador.
Demanda aquecida
A elevação das taxas se dá em um ambiente de elevada procura por financiamento habitacional. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o volume concedido no primeiro semestre deste ano foi 23% maior do que o apurado há um ano, em igual intervalo.
De janeiro a agosto, Bradesco e Itaú responderam, juntos, por 41,4% dos R$ 132,5 bilhões concedidos com recursos da poupança, ainda de acordo com a Abecip - o Santander, por sua vez, é o quarto maior financiador. Na liderança está a Caixa Econômica Federal, que detém 48,6% do mercado.
Ainda não se sabe o que a Caixa e o Banco do Brasil farão com suas respectivas taxas.
Registro de Imóveis do Brasil (com informações do
portal Exame)