Levantamento realizado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) mostra que o crédito imobiliário custeado pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) alcançou em agosto R$ 16,97 bilhões - montante 46,6% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Foi o terceiro maior volume para um mês de agosto em 25 anos.
Já no acumulado dos oito primeiros meses do ano, os financiamentos via SBPE totalizaram R$ 132,5 bilhões, que indicaram uma expansão de 37% sobre igual intervalo de 2025.
O resultado é expressivo, especialmente, se forem considerados dois fatores: a taxa de juros elevada e a perda sequencial de recursos por parte das cadernetas de poupança, que respondem por parte significativa do crédito destinado à construção e à compra de imóveis no país.
Em agosto, por exemplo, os saques superaram os depósitos em R$ 9,5 bilhões - mais do que o dobro do apurado em agosto de 2025 (R$ 4,7 bilhões). Com isso, o saldo da poupança (R$ 752,2 bilhões) registrou queda de 0,62% em relação a julho.
Nos oito primeiros meses do ano, a diferença entre retiradas e depósitos bateu em R$ 47 bilhões, montante que, embora significativo, foi menor do que o contabilizado no mesmo período do ano passado (R$ 48,3 bilhões).
Volume financiado
A despeito de o volume financiado pelo SPBE ter caído 19% em agosto, em relação a julho, o nível continua elevado.
De setembro do ano passado a agosto deste ano, os financiamentos para construção e compra de imóveis cresceram 20,2% na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores e somaram R$ 192,4 bilhões, ainda de acordo com a Abecip.
Ao todo, foram financiados 46,8 mil imóveis em agosto, número 19,2% inferior a julho, mas 27,5% maior na comparação anual. Esse foi o sexto maior volume de financiamentos para um mês de agosto, se considerada a série histórica da Abecip.
Já de janeiro a agosto, os recursos da poupança financiaram 384,6 mil imóveis - alta de 35,9% sobre o mesmo período de 2025. Em 12 meses, foram 559,2 mil unidades, volume 20,2% maior.
Outro dado relevante: o crescimento de empréstimos via poupança ocorre simultaneamente à valorização dos preços. Em 12 meses completados em agosto, o Índice Geral do Mercado Imobiliário-Residencial (IGMI-R) registrou alta de 14,73%. Descontada a variação do IPCA, a valorização real ficou em 10,09%.