Os números mais recentes relativos ao crédito imobiliário custeado pela poupança ratificaram a projeção otimista feita há poucos dias pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip): em julho, o volume somou R$ 21 bilhões, montante 76,7% superior ao registrado em julho do ano passado.
Já no acumulado dos sete primeiros meses do ano, os financiamentos via poupança alcançaram R$ 115,5 bilhões - alta de 36,3% quando comparados aos R$ 84,8 bilhões contabilizados em igual intervalo de 2025.
Conforme havíamos destacado em agosto (relembre
aqui), a Abecip reviu sua projeção para a expansão do crédito imobiliário no país em 2026. De uma alta de 16% anteriormente prevista, a entidade espera, agora, que o volume alcance R$ 411 bilhões e cresça 25% na comparação com o ano passado.
Um dos motivos para a revisão é o impulso dado ao Minha Casa, Minha Vida (leia mais
aqui), que respondeu por metade das vendas de imóveis residenciais novos no primeiro semestre deste ano.
Apetite mantido
Fato é que a Selic não tem comprometido o apetite do brasileiro por crédito imobiliário. A explicação é simples: a maior parte das operações de crédito é custeada pelo FGTS e pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), cujas regras independem do comportamento dos juros.
Para 2026, a Abecip estima que o FGTS e o Fundo Social do Pré-Sal alocarão R$ 195 bilhões em recursos para essa finalidade. Se a projeção se concretizar, o volume será superior, portanto, aos R$ 185 bilhões previstos pelo SBPE para a compra de imóveis acima de R$ 600 mil - também neste caso, o percentual de crescimento foi revisto, de 15% para 18%; no primeiro semestre, a expansão registrada chegou a 29% e o volume emprestado totalizou R$ 93,7 bilhões.
Tais resultados têm sido creditados ao avanço do emprego e da massa salarial, além do incentivo concedido à população de baixa e média renda pelo MCMV, que têm contribuído para aumentar a procura pela casa própria, mesmo diante da elevada taxa de juros.
Já os financiamentos habitacionais custeados por recursos livres deverão se manter em patamar semelhante ao registrado em 2025: em torno de R$ 31 bilhões.
Regras próprias
A expansão da oferta de recursos não implica, contudo, em financiamento imobiliário mais barato. O custo do crédito permanece elevado, embora a taxa não acompanhe as variações da Selic.
A composição das fontes explica a diferença. Linhas financiadas com recursos do FGTS e programas habitacionais estão sujeitos a regras próprias e, portanto, são menos afetadas pela taxa básica de juros se comparadas a operações abastecidas por captações realizadas junto ao mercado financeiro.
Registro de Imóveis do Brasil (com informações do
Portas)