Uma parceria firmada pela Rede Ambiental e de Responsabilidade Social - Notários e Registradores (RARES-NR) e a Circular Brain possibilitará que ao menos 300 coletores de equipamentos eletroeletrônicos venham a ser instalados em cartórios de todas as regiões do país. O objetivo é facilitar o descarte correto e contribuir com a reciclagem e o reaproveitamento.
A Circular Brain é uma cleantech brasileira especializada em gestão, rastreabilidade e operação da economia circular, que tem como alvo principal os resíduos eletroeletrônicos. Até o momento, a empresa instalou mais de 17 mil pontos de coleta no Brasil, em mais de cinco mil municípios, e, por meio deles, contabilizou 83 mil toneladas de equipamentos processados, 66 recicladores parceiros, 102 campanhas realizadas e 2.099 coletas domiciliares em todo o Brasil.
"Cartórios estão presentes em todo o país. São cerca de 60 mil colaboradores e 1,95 milhão de pessoas atendidas diariamente, números que mostram que esses espaços devem ser cada vez mais utilizados como ferramenta de conscientização", afirma a especialista em Sustentabilidade Corporativa e Marketing Verde Veridiana Aguiar, que atua como consultora em Meio Ambiente e Sustentabilidade da RARES-NR.
Ela observa que todos os dias surgem novas invenções eletrônicas que, em geral, têm vida curta. Quando feito de forma inadequada, o descarte libera metais pesados e outras substâncias tóxicas, que causam riscos à saúde humana e ao meio ambiente. "A reciclagem é, portanto, essencial para recuperar metais valiosos e economizar recursos naturais", diz. Daí veio a preocupação da RARES-NR em conscientizar a população quanto ao descarte adequado e à destinação correta dos resíduos eletroeletrônicos.
Cartórios interessados em participar da ação devem entrar em contato com a Circular Brain pelo WhatsApp (11) 940836274. A parceria tem custo zero e os apoiadores receberão uma caixa especial para ser montada e disponibilizada para o descarte, bem como orientações sobre quais materiais podem ser aceitos.
Quinto maior produtor
Dados divulgados em abril deste ano pela Green Electron (organização sem fins lucrativos que coleta equipamentos descartados) e pelo Painel TIC deram conta de que o Brasil produz anualmente 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico. Quinto maior produtor mundial - atrás da China, Estados Unidos, Índia e Japão - e segundo colocado nas Américas, o país descarta e recicla corretamente apenas 3% desse volume.
Segundo a Green Electron, atualmente, cerca de cinco mil empresas produzem, vendem ou exportam eletrônicos para o país, mas somente 150 (5%) coletam de volta e dão o destino adequado ao resíduo gerado, que inclui aparelhos celulares e acessórios de informática (mouses, teclados, cabos e carregadores), entre muitos outros.
A gestão do descarte, por sua vez, não é simples. Como os componentes são feitos de metal, prata, ouro, plástico, entre outros itens, é necessário que o lixo eletrônico seja submetido a um processo de manufatura reversa - desmontagem correta e separação de materiais.
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