No primeiro semestre deste ano, 21% das vendas brutas de imóveis de médio e alto padrão foram canceladas, maior percentual registrado desde o primeiro semestre de 2020. Isso significa que, a cada cinco propriedades vendidas, um distrato foi registrado. É o que acaba de revelar um levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc).
Do lado do consumidor, o quadro é creditado à taxa de juros elevada e ao crédito imobiliário mais caro, além do endividamento das famílias e do encarecimento do custo da construção. Já no que diz respeito às incorporadoras, os atrasos na emissão de documentos exigidos para o crédito têm postergado a entrega e o repasse do financiamento.
Outro ambiente
Apesar disso, analistas do mercado descartam uma comparação com a crise imobiliária que se abateu sobre o Brasil em 2014, ano em que fatores como o avanço do desemprego, o recuo da renda, os juros elevados e a menor demanda resultaram em cancelamentos que ultrapassaram metade dos imóveis comercializados, ainda de acordo com a Abrainc. Naquela época, as devoluções afetaram o caixa das incorporadoras, que passaram a reivindicar uma regulamentação própria que surgiria quatro anos depois, com a promulgação da Lei n.º 13.786/2018 - também conhecida como Lei do Distrato -, que estabeleceu regras para a rescisão de contratos de compra de imóveis na planta.
O segmento econômico, por sua vez, vive realidade bem diferente em 2026. Embora já se verifique uma tendência de alta dos distratos, nos últimos seis meses as desistências não superaram 10,5% dos negócios concretizados - ou seja, um distrato a cada dez imóveis vendidos. Nestes casos, o procedimento tem decorrido principalmente da perda de capacidade de arcar com as parcelas remanescentes.
Atrasos em São Paulo
Ao mesmo tempo em que o volume de distratos cresceu de forma expressiva no médio e alto padrão, um levantamento do Procon indicou um aumento paulatino das reclamações sobre atrasos na entrega de imóveis na capital paulista nos três últimos anos. Em 2024, haviam sido registradas 785 queixas do tipo. Em 2025, foram 1.194. E, até 12 de outubro deste ano, 1.296.
Registro de Imóveis do Brasil (com informações do
Estadão)