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Imóvel não é visto como opção de investimento pela geração Z

28/09/2026 - Mercado Imobiliário

Futuro incerto e descompasso entre renda média real e preço do metro quadrado também têm levado faixa etária a adiar compra da casa própria

Para parte da chamada geração Z, a compra de um imóvel não é encarada como uma opção de investimento, diferentemente de como a enxergavam gerações anteriores. Além disso, a casa própria é vista pelos nascidos entre 1997 e 2012 como um objetivo de longo prazo, por demandar o custeio da entrada e planejamento suficiente para arcar com o financiamento.
 
Ou seja, embora estudos recentes tenham indicado que a geração Z lidera a intenção de compra de imóveis no país, somente 14% dos entrevistados à época disseram pretender adquirir uma propriedade para acumular capital - o menor índice entre todas as faixas etárias consultadas. Fatores como incerteza quanto ao futuro e juros altos ajudam a explicar a mudança de comportamento geracional.
 
De outro lado, a sensação de instabilidade, especialmente após a pandemia recente, levou a geração Z a enxergar na constituição de uma reserva financeira expressiva algo muito mais importante do que, por exemplo, libertar-se do aluguel.
 
Poder de compra
Outro dado que concorre para a percepção, segundo estudiosos do mercado, é a deterioração do poder de compra imobiliário a partir dos anos 2000. Levantamento realizado pela Fundação Getúlio Vargas sobre lançamentos residenciais na Grande São Paulo revelou que, de 2000 para 2006, corrigido pela inflação, o preço médio de um apartamento de 105 metros quadrados saltou de R$ 194 mil para R$ 353 mil - o equivalente a um aumento real de 80% no período.
 
O descompasso entre o valor do metro quadrado e a renda média dos brasileiros se acentuou dali para frente e fez com que, em dezembro do ano passado, conforme o principal medidor de preços do mercado imobiliário brasileiro, o Índice FipeZAP, o custo médio de venda residencial alcançasse R$ 9.600 o metro quadrado no país, enquanto o rendimento médio real das pessoas ocupadas era de R$ 3.600.
 
Aposentadoria também preocupa
Estudo elaborado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostra, por sua vez, uma preocupação crescente da geração Z em poupar para a aposentadoria - 66% dos entrevistados que se encaixavam na faixa etária afirmaram ter essa intenção, embora apenas 12% já tivessem começado a fazê-lo. 
 
Registro de Imóveis do Brasil (com informações da Folha de S.Paulo)
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