Principal fonte de recursos utilizada pelas instituições financeiras para financiar o crédito habitacional, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) registrou captação líquida negativa de R$ 6,95 bilhões em julho. O volume é quatro vezes superior ao resultado apurado em junho, mês em que a perda líquida havia alcançado R$ 1,39 bilhão.
Divulgado pelo Banco Central (BC), o levantamento traz um dado desalentador: a recuperação substantiva da poupança imobiliária no segundo trimestre acabou anulada pelos números do último mês, panorama que afeta o crédito imobiliário nacional, uma vez que a poupança ainda é uma das principais fontes de financiamento disponíveis.
Sobe e desce
Os resultados indicam um movimento de sobe e desce do SBPE. Afinal, após um primeiro trimestre de retração significativa, os dois meses posteriores registraram saldo positivo - em abril, a captação líquida foi de quase R$ 500 milhões, enquanto em maio o volume superou R$ 2 bilhões. Em seguida, vieram dois meses de volume negativo - em junho, R$ 1,39 bilhão e, em julho, R$ 6,95 bilhões.
Quando considerados somente os últimos quatro meses, a captação líquida saiu de um saldo positivo de R$ 2,79 bilhões para R$ 8,3 bilhões negativos.
Ano melhor
No ano, entretanto, a perda é menor do que a registrada no ano passado. Enquanto, nos primeiros sete meses de 2025, a captação líquida havia sido negativa em R$ 43,6 bilhões, este ano, o volume contabilizado alcançou R$ 37,5 bilhões.
Outro dado positivo é que o estoque total da poupança destinada ao financiamento imobiliário permanece elevado, em R$ 761,9 bilhões - em julho de 2025, eram R$ 761,8 bilhões.
Isso porque mensalmente os depósitos existentes são acrescidos de rendimentos que, incorporados ao estoque total, compensam em parte a perda de recursos.
Selic não ajuda
Um fator que concorre para a redução do estoque é a taxa básica de juros ainda elevada - no último dia 5, o Comitê de Política Monetária (Copom) baixou-a para 14% ao ano. Isso faz com que diversos produtos de renda fixa remunerem melhor do que a caderneta de poupança, o que explica em parte a fuga de recursos.
Registro de Imóveis do Brasil (com informações do
Portas)